
Depois de quatro anos, tive o prazer de voltar à linda Tiradentes. Ao longo do caminho, os percalços habituais que atribuo a décadas de descaso. Mas, ao invés de acentuar problemas, segui viagem contabilizando sonhos. Não, os grandes, como a paz mundial desejada desde os tempos das misses, com o patrocínio de maiôs Catalina e produtos de Helena Rubinstein.
Vamos a eles!
O primeiro pequeno sonho é de acostamentos nas estradas. Há setenta e cinco anos, quando a Rodovia Washington Luís foi construída, eles podiam não ser essenciais, mas, hoje?!
Também sonho que as caixas d’água azuis sobre as lajes nuas das casas desapareçam, assim como os quebra-molas e radares que limitam a velocidade a 30km/h na altura de Ewbank da Câmara. Sei que pode ser um excesso de zelo da administração ewbanquiana, mas eles sumiriam do mapa nos meus sonhos, junto com suas multas incontornáveis.
Sonho também com o ET de Varginha a abduzir os prédios posteriores a 1950 da aprazível Santos Dumont – a Palmira de outrora – e da Barbacena de Quincas Borba. Com certeza, nossos antepassados tinham um senso estético mais acurado para as construções.
Sim, I have a dream! Sonho com o fechamento da usina de cimento da Estrada Real. Por paradoxal que seja, os mineiros prosperarão sem a mineração. Minas só dará leite, cachaça e arte. Importará café de São Paulo e samba de Vila Isabel, ao melhor estilo de Noel Rosa.
E sonho mais! Sonho com o raio que destruirá o Templo de Eros em Barroso, o Motel Dreams. Pode ser uma das sete maravilhas do mundo das saliências, mas, cáspite, que arquitetura tenebrosa! Veja a foto!
No entanto, sem dúvida alguma, o maior de todos os sonhos é poder voltar sempre a Tiradentes – joia preciosa talhada ao pé da majestosa Serra de São José e, de quebra, povoada com amigos da vida inteira.
PS Obrigado, Cristina e Sérgio, nossos queridos anfitriões das Alterosas!