
Há 25 anos, trabalho no mesmo “restaurante” e frequentemente amigos me perguntam sobre a comida, a carta de vinhos e o atendimento. Confesso que ainda não sei o que é melhor: contar a verdade ou mudar de assunto. Mas alguns insistem e aumentam a minha enrascada.
Fato é que o atual chef está no seu décimo segundo ano à frente do bistrô. Saiu por um tempo, mas não tardou a voltar. Muito bem relacionado, ele faz marketing como ninguém. Assim que assumiu o restaurante, em 2009, disse que botaria ordem em tudo. Faria uma grande limpeza, dedetizaria o ambiente e criaria oportunidades para quem quisesse investir na casa. Mas nada ou quase nada melhorou.
Seu mentor e grande parceiro, que gerenciava a rede de estabelecimentos no Estado, caiu em desgraça quando foi flagrado desviando uma quantidade astronômica de guardanapos. Uma farra que fugiu do controle. O chef quase foi apanhado. Ficou nervosinho, mas tem tanta sorte que deixaram para lá a história de que inflava as contas dos clientes e tirava dinheiro do caixa.
A rigor, ninguém nunca quis conhecer o negócio a fundo, sobretudo, a cozinha. O grosso da clientela continua sem fazer a menor ideia de como são preparados os pratos. Não sabem da procedência dos alimentos, como a salada é lavada e como manuseiam os ingredientes em geral. A maioria dos garçons, que é unha e carne (estragada) com o chef, tosse sobre as bandejas e batiza as bebidas com água de geosmina.
É espirro e perdigoto para todo lado! Alguns dirão que é exagero meu, que houve um chef muito pior, que o salão está bem arrumado e a fachada do restaurante foi repintada. Ok! Mas só sei uma coisa. Não abro mão de levar uma marmita de casa e a minha garrafa d’água.
Enfim… Não adianta nem dizer que seu plano é pular fora daqui a dois anos para tomar conta da rede estadual. E que ele deixará o sous-chef no seu lugar. As pessoas não reclamam. Afinal, o que os olhos não veem o coração não sente. Já o intestino… sei, não. Bon courage!