Não sei se alguém se lembra do Moura, o beijoqueiro… Um taxista que dedicou parte da sua vida a beijar celebridades em público. Beijou políticos importantes, ídolos do esporte, artistas e até o Frank Sinatra em sua turnê no Brasil. Era uma figuraça! Na época, não havia os influencers…

Eu o vi mais de uma vez, entrando em campo no velho Maracanã para lascar um beijo nos jogadores de futebol. Moura surgia correndo, como se estivesse num jogo de pique bandeira, desvencilhando-se dos PMs até alcançar o seu troféu, o beijo. Depois, triunfante, acenava para a torcida, que festejava como se fosse um gol. O beijado não retribuía o gesto. Em geral, levava um baita susto.

Pergunto-me o que se passava na cabeça do Beijoqueiro. Acho que transformou beijos furtivos, mais precisamente, furtados, numa modalidade peculiar de esporte, que exige estratégia, preparação física e rende boas doses de adrenalina. Por certo, eram beijos sem romance, mas ainda assim eram beijos.

Moura não planejava suas incursões para ferir, assediar, para passar a mão em nádegas famosas, presidenciais, reais ou fossem quais fossem. Era um caçador de ósculos, diriam na Terrinha, não era um tarado. Seu alvo eram as bochechas.

E é lógico que este “serial kisser” baixou no meu computador por conta do Dia dos Namorados, como já havia baixado há quatro anos durante a Covid, naqueles tempos assépticos de separação de corpos. Tempos em que um simples perdigoto virou sinônimo de capiroto, de tinhoso, de mafarrico… Um drama! Mas passou! Os beijos voltaram a ser muito bem-vindos. GD!

E o Moura?! Onde estará o Beijoqueiro? O Google não me deu pistas. Torço para que esteja feliz, e que definitivamente ainda não tenha lascado uma beijoca em São Pedro.

Notas:

GD – abreviação de “Graças a Deus”. Nas cartas que escreviam, minha sogra e suas irmãs usavam GD como vírgula.

Requentei esta crônica, originalmente escrita em 2020. A data e o friozinho assim o recomendaram.