Fui avisado sobre o assunto incontornável para a crônica deste domingo: Hungria! Na mesma hora, me lembrei da viagem de carro que fiz no inverno de 1995. Saí de Paris com o objetivo de chegar a Budapeste, fazendo ótimas escalas: Estrasburgo, Rotemburgo, a Estrada Romântica até a Baviera, Salzburgo e Viena, antes de, finalmente, atravessar a ponte sobre o Danúbio, que não é azul, de Peste para Buda, onde me hospedei.

Mas é óbvio que não é disso que se trata. Não devo falar da minha experiência pessoal na terra natal de Franz Liszt e do craque do futebol Puzkás. O fato relevante da semana, que deu no New York Times !, foi o patético autoexílio do ex-presidente da República, cujo nome eu não gosto de digitar, na Embaixada da Hungria no Brasil.

Sua ex-Excelência foi flagrado nas dependências dessa representação diplomática em Brasília, com seu travesseiro, onde não deita a cabeça tranquilo. E lá permaneceu por dois longos dias, durante as festa de Momo em fevereiro passado, saindo somente na quarta feira de cinzas.

Por quê? É a indagação geral. Especula-se que Sua ex-Excelência temia uma prisão iminente e buscava ser intocável ao fugir para Budapeste. Mas justamente ele, que não é maricas? Não! É melhor não insistir em compreender suas razões. Piadas são piadas. Prescindem de explicação. Assim como os passes de mágica. Revelá-los é de extremo mau gosto. Portanto, fiquemos apenas com as imagens que vimos sem legendas, de um homem afeito a bravatas entocado.

A propósito, custo a crer que o autoexilado conheça um pouco da história da Hungria, considerando a parcela insignificante de cultura no seu cérebro tormentoso. Deve imaginar que não havia nada antes da chegada do seu congênere Viktor Orban ao poder. 

Mas, nunca é tarde para tentar lançar alguma luz sobre o capitão das trevas. Cito três húngaros notáveis e algumas de suas obras: a arrebatadora Valsa Mephisto de Liszt, a interpretação do Conde Drácula de Bram Stoker por Bela Lugosi e, lógico, as mágicas do grande Houdini. Aliás, este, nos prestaria enorme serviço se fizesse o indigitado ex-presidente desaparecer da face da Terra.

Obrigado, Murilo Rocha!