
Semana passada, escrevi sobre as deepfakes, mentiras sofisticadas, produzidas com tecnologia de ponta. Mas o tema mentira é inesgotável. Há uma diversidade enorme delas – as mentirinhas artesanais, por exemplo. Ninguém em sã consciência pode prescindir de mentirinhas inocentes. A verdade nua e crua pode ser dolorosa e às vezes é melhor encobri-la amorosamente.
– Gostou do presente, querida?
– Detestei! Você nunca acerta.
E mentiras no mundo da política? É impossível dissociar a mentira da política e, neste sentido, recomendo o livro “Você Foi Enganado”, dos jornalistas Cristina Tardáguila e Chico Otávio, que trata das inverdades dos presidentes da República, de Artur Bernardes a Michel Temer.
Foi ao ler este livro que pensei com meus botões sobre a viabilidade de a Justiça Eleitoral exigir o soro da verdade nos programas eleitorais e debates ao vivo. A produção da emissora de TV colocaria um copo com tiopental sódico sobre os púlpitos onde se abrigam os candidatos. Depois da musiquinha de abertura, a voz grave do mediador anunciaria “Eleições 2024, patrocínio de Pentothal, o melhor soro da verdade do mercado!”
Em seguida, a primeira pergunta do candidato A para o candidato B:
– Candidato (os marqueteiros recomendam jamais falar o nome do adversário), se não for reeleito, o senhor tentará dar um golpe de Estado?
– Afirmativo! No tocante ao referido golpe, já temos um plano Tabajara pronto.
Depois, o candidato B perguntaria para o A:
– Candidato, o nosso glorioso Brasil tem jeito?
– Olha, candidato e meus amigos e amigas que nos assistem, eu estou convencido de que o Brasil não tem jeito!
Ah! Quantas perguntas poderiam ser feitas! Quantas verdades viriam à tona! E lembro-me até do dublê de costureiro, apresentador de TV e parlamentar, Clodovil, justamente com sua lente da verdade. No final do seu programa de entrevistas, ele sempre constrangia o entrevistado com alguma pergunta indiscreta, do tipo: já fumou maconha?
Mas política e mentira são coisas sérias; muito bem abordadas no livro. Reproduzo aqui um episódio delicioso envolvendo Tancredo Neves e seu arquirrival Magalhães Pinto. Encontraram-se no aeroporto de Brasília, cumprimentaram-se e trocaram palavras cordiais. Depois, Tancredo comentou com um assessor: “o Magalhães me disse que está indo para o Rio para eu achar que ele está indo para Belo Horizonte, mas aposto que está indo para o Rio mesmo”. Ora, quem diz que é fácil enganar um mineiro, mente!
MUITO OPORTUNO … COMO AQUELAS RAPOSAS FELPUDAS MINEIRAS ERAM AZES NA MANIPULAÇÃO! ATÉ ESSAS TIRADAS ERAM VERDADEIRAS…
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