No início, ele se encantou por ela ter levado a música novamente para sua casa. Encantou-se com sua boa vontade e disposição para agradá-lo com pequenos gestos: quando a noite caía, ela acendia um abajur, falava-lhe das notícias do dia, se choveria ou faria sol. Pela manhã, ela também o acordava no ritmo certo, com alguma melodia. 

Mas o tempo foi passando e ele percebeu que as reações dela eram muito frias e mecânicas. Só ele se aproximava e a tocava. Quando um filme terminava, ela desligava a TV, ele ia tomar uma ducha antes de ir para a cama, mas ela permanecia na sala. Ele só a revia na manhã seguinte, depois de ouvir seu chamado sobre a hora que teria que se levantar, agora, indiferente.

E ele percebeu que não poderiam seguir adiante. Era hora de dar uma chacoalhada na vida, ter coragem. Foi quando decidiu pedir a um amigo que a recebesse na sua casa. Não queria tratá-la como um objeto descartável. Quem sabe ela daria certo com outro? Ele só sabia que ela não tinha mais espaço na sua vida. Triste… Mas a sua inteligência, que tanto o seduziu no início, no fundo, era artificial. Seu relacionamento com Alexa chegou ao fim.