Não havia santo que desse jeito nos fantasmas da televisão d’antanho (sempre quis usar esta palavra!). Morávamos próximos do Morro do Sumaré, onde foram instaladas as antenas das emissoras de televisão do Rio, e não tinha jeito. Nossa casa ficava numa zona de sombra das ondas que traziam as imagens da Tupi, da Globo, da TV Rio e da Excelsior.

De tempos em tempos, meu pai se aventurava no telhado para ajustar a nossa antena. “E aí? Melhorou?” “Sim, não, sim, não! Tá pior!” E nos habituamos a conviver com os fantasmas – imagens da TV duplicadas com uma espécie de ectoplasma.

E era dessa forma que eu assistia a Nacional Kid, Rin-tin-tin, Vigilante Rodoviário, Os Três Patetas, Charlie Chan, aos desenhos de Hanna e Barbera e, mais tarde, às novelas. Também havia o Repórter Esso, “o primeiro a dar as últimas”. A censura do Estado cortava muita coisa boa, mas, em alguns casos, era a censura paterna que mais me frustrava.

Memórias fervilham na cabeça. mas ficarei num único episódio. Fui mandado para cama em plena sexta-feira, por conta de um filme com Brigitte Bardot e Jeanne Moreau, “Viva, Maria”. Tentei ficar no corredor num ângulo impossível de os adultos sentados no sofá me verem. Em vão! Fui descoberto e despachado para cama. Pior! Não houve tempo nem de ser assombrado pelo fantasma de Brigitte…