
Consumo estatísticas com moderação. Embaralho-me com facilidade e somente os gráficos em forma de pizza fazem algum sentido. Compreendo que num jantar em família, metade da pizza seja da tradicional Margherita, um quarto de calabresa e outro quarto à portuguesa. De forma equivalente, os gráficos em pizza podem ilustrar outras estatísticas, fatiando a população por faixas de renda, escolaridade e outros indicadores importantes.
No entanto, se a demonstração de um fato requer outro tipo de gráfico ou fórmula, tudo fica menos palatável. Outro dia, li a seguinte manchete no Globo: “O país precisa de cuidados – levantamento mostra Brasil mais envelhecido, o que exige atenção a idosos.” Abaixo, havia cinco colunas com números, análises e aspas de especialistas que me deram preguiça só de olhar. Não li uma página inteira para comprovar o óbvio. Basta caminhar na Avenida Copacabana, entre Santa Clara e Siqueira Campos.
Mas nesta reportagem que não li havia um gráfico em forma de pirâmide que também faz sentido. No caso, do censo populacional de 2022. Enxerguei de cara dois perfis de homens ligados pelas costas, com aquela barriguinha contra a qual há quem lute. Na altura do umbigo, a barriga se projeta para frente – o que torna a visão da base quase impossível. Mas enxergar a base para quê? Basta saber que está lá, a sustentar os que estão no topo. Coisa de faraó! Há milênios, os da base se lascam. As pirâmides e as pizzas não mentem! Apesar de que já me disseram que esta minha análise não tem pé nem cabeça. Não me surpreende.