
Aprendi que “baladia” significa “município” em árabe. Também é o nome de uma cidade de mentira em Israel – um campo de exercícios militares, que ocupa uma área de 12 km2, com ruas, vielas, muros pichados em árabe, escolas, hospitais, mesquitas e prédios de até oito andares. Baladia é uma cidade vazia, sem pessoas.
Imagino que existam cidades « irmãs » de Baladia em outras partes do mundo. Em países inimigos de Israel, deve haver kibutzes de mentira, com sinagogas falsas e muros pichados em hebraico, com o mesmo propósito de Baladia : o aperfeiçoamento das habilidades de matar outros seres humanos e conquistar territórios.
Se há consolo para este fato, para mais uma guerra no Oriente Médio e tanta covardia, é saber que a humanidade já foi pior. Já fomos mais cruéis, preconceituosos e infinitamente mais ignorantes. Portanto, há que se manter alguma esperança por dias melhores ou não tão ruins. Não aparece na TV que tanto em Israel quanto na Cisjordânia e na Faixa de Gaza há grupos que pregam a paz duradoura e a coexistência dos estados de Israel e da Palestina – o que contrasta muito com os seus governantes adeptos do terror.
Mas, desgraçadamente, não perdemos o hábito de só aprender determinadas lições depois de muito tempo e com muita dor. A escalada do ódio entre vizinhos, primos, irmãos indica que a paz sonhada por muitos voltou a ser uma miragem na Terra Santa. Santa?! Aliás, como em outras regiões do planeta. A estupidez dos adultos é universal. Suas principais vítimas? Crianças e jovens, usurpados do futuro; e creio que cabe bem a paráfrase: “Nunca tantos sofreram tanto por tão poucos”.
Assim, no curto prazo, a solução para tanta tristeza só pode brotar do universo infantil, da fantasia. Quando meus sobrinhos-netos exageram na bagunça, seus pais os colocam na “cadeira do pensamento” para pensarem no que fizeram. Mas não creio que este « castigo » seja suficiente para adultos que se matam de verdade. Vou, então, sonhar com uma nova Era do Gelo, igual ao desenho animado de mesmo nome que assisti com Cecília, minha filha, há 15 anos… Hibernaríamos por um bom tempo e pensaríamos melhor sobre os nossos reiterados erros… Até a chegada da verdadeira primavera, que acolherá todas as etnias, todas as cores, credos e culturas.