
De dois em dois anos, tento desesperadamente compreender os resultados das eleições no Estado e no Município do Rio de Janeiro. No ano passado, antes de pedir penico, resolvi apelar para um amigo cientista, que ficou de reproduzir nossas eleições em laboratório e me apresentar uma conclusão científica.
– Pardal, nada explica a vitória do inacreditável governador Claudio Castro no primeiro turno. E aqueles deputados?!
Pardal não perdeu tempo. Na sua experiência nº 1, um camundongo foi exposto a todo tipo de estresse, tiros de fuzil, balas perdidas e composições de Marlos Nobre. No fim, o ratinho branco tinha dois caminhos a seguir: à direita, na direção dos mesmos sons e estímulos; à esquerda, onde era tocado o segundo movimento do concerto para clarinete de Mozart. E ele seguiu pela direita.
Na experiência nº 2, um ratinho ficou oito horas preso sem beber. Depois, duas saídas foram abertas, que não vou dizer se eram à direita ou à esquerda para não tumultuar. Na saída D, havia uma lata de cerveja Itaipava quente. Na saída E, uma cerveja belga estupidamente gelada. E o estúpido seguiu pela saída D.
Por fim, na experiência nº 3, o mesmo camundongo, estressado e com bafo de Itaipava quente, foi posto na gaiolinha de novo diante de duas alternativas. Na saída indicada para portadores do passaporte brasileiro e do Mercosul havia um gato. Na outra, o aguardava uma ratinha charmosa com um queijinho suíço para dividir.
Adivinhe o lado escolhido pelo camundongo do Rio. Conclusão: Pardal não acredita mais na Ciência!