
Não é de hoje o meu desejo de alterar as notícias que leio nos jornais e retocar imagens para reduzir minhas taxas de desalento. E é por isso que trato aqui do mundo de Gilberto Braga, Janete Clair, Dias Gomes e outros renomados autores de novelas, à cata de finais felizes.
Eu não assisto a uma novela há bastante tempo. Tinha uns sete ou oito anos e lembro-me da grande rivalidade entre as novelas da Tupi e da Globo. Colocadas no ar no mesmo horário, obrigavam o público a assistir a uma ou a outra. Mas minha tia-avó Josefa não abria mão de nenhuma e tinha duas televisões, uma ao lado da outra, sintonizadas nos canais 4 e 6.
No início, meu pai nos proibia de assistir, mas corríamos para a casa da minha avó, onde acompanhei a primeira da minha memória, Antônio Maria, patrocínio de Maisena. Depois, foram muitas: Nino, o Italianinho, Pigmaleão 70, Beto Rockfeller, Irmãos Coragem… Para as que passavam às dez da noite, não havia negociação, eram realmente proibidas, sobretudo, imagino, pelos temas mais ousados, isto, quando escapavam da censura – o caso de Gabriela e o Bem Amado.
E mais! Tive a emoção de acompanhar com meus amigos algumas gravações feitas perto de casa. Parte do Espigão, com Milton Moraes, foi filmada numa casa na Rua São Miguel, que passou a ser chamada de Mansão Camará, assim como O Primeiro Amor foi filmada na pracinha do Alto da Boa Vista. Antes do fim de Primeiro Amor, o ator Sérgio Cardoso morreu, o Antônio Maria da minha primeira novela. Ele foi substituído por Leonardo Villar e a história de ter sido enterrado vivo na vida real assombrou a minha infância. Mas os bons tempos de Dancing Days logo chegaram e também a novela da Odete Roitman. Quem matou Odete Roitman? Eu ainda me lembro!
Certamente, há lacunas e imprecisões nesta narrativa. Não sei a ordem correta das produções. A novela do Maestro Clóvis de Lorenzo, interpretado por Carlos Alberto, veio antes ou depois de Anjo Mau? E Estúpido Cupido?! Foi muito boa! Seja como for, lembranças felizes de um passado que eu ainda não sinto tão distante. Hoje, as séries online assumiram o papel das novelas “offline” de antigamente. Mas observe que interessante: a última série que vi, sobre o empresário francês megalomaníaco, Bernard Tapie, me transportou de cara para o Alberico Santos, interpretado pelo saudoso Mario Lago. Alguém se lembra deste personagem e desta novela, sem perguntar ao Google ou à Alexa?
Desejo uma boa semana para todos e, vão por mim, não fiquem grudados nos telejornais! Até as novelas mexicanas serão opções melhores para melhorar o astral.