
Em 1927, foi inaugurado o Estádio de São Januário, do Vasco da Gama. A compra do terreno, no bairro de São Cristóvão, e as despesas com a construção foram inteiramente custeadas pelos sócios e torcedores do clube. Na época, 3000 contos de réis, equivalentes a R$ 370 milhões, para o maior estádio da América do Sul até a construção do Estádio Centenário de Montevidéu. O jogo inaugural, no dia 21 de abril de 1927, foi entre Vasco e Santos.
São Januário cresceu com a Cidade. No mesmo ano de 1927, o arquiteto francês Alfred Agache foi contratado para desenvolver um plano de modernização do Rio. Em 1928, começaria a construção do primeiro arranha-céu, o prédio da Noite, na Praça Mauá, e, em 1931, foi inaugurada a estátua do Cristo Redentor. Entre 1940 e 1960, a Cidade ganhou a Avenida Presidente Vargas, a Avenida Brasil entre São Cristóvão e a Estrada Rio – Petrópolis e o Morro de Santo Antônio foi derrubado para aterrar a Enseada do Flamengo. Até 1950, quando foi construído o Maracanã, São Januário era o principal templo do futebol do Rio.
Outros planos urbanísticos sucederam ao Plano Agache: Plano Doxíades, Plano Lucio Costa para a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, as intervenções para os Jogos Panamericanos, para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016. E a política habitacional? Um fracasso total! Sobretudo, para a população de baixa renda. Resultado: crescimento de comunidades sem saneamento básico e até sem a luz do sol.
Pois, hoje, em pleno século XXI, em 2023, depois de uma punição acertada imposta pela justiça desportiva, em razão de um conflito da sua torcida, São Januário permanece fechado por decisão da Justiça comum. Dentre as razões para manter fechado este estádio, um argumento odioso: da proximidade da favela da Barreira do Vasco! Que tipo de Justiça penaliza as vítimas da Cidade e dos planos de crescimento que não as enxergaram? Sejamos vascaínos, flamenguistas, tricolores ou botafoguenses, no Rio, precisamos torcer por outro tipo de Governo e de Justiça.
Texto feito a duas mãos por Paulo Pinheiro e Mauro Bandeira de Mello, em 6/9/2023, e publicado no Blog do Juca Kfouri.