Reportagem do jornal espanhol La Nacion, de 18 de julho, assinada pelo jornalista Vicente G. Olaya e reproduzida no Globo, trata de uma exposição de falsários de grandes mestres do Renascimento no Museu do Prado de Madri, em especial, do napolitano Luca Giordano (1634-1705), que reproduziu, entre outras, obras de Rafael e Tiziano.

A mostra de falsificações num dos museus mais importantes do mundo é fato inusitado, mas, neste caso, oportuna. O talento dos copistas é indiscutível e alguns deles, aprendizes de pintores renomados, tiveram seus trabalhos originais creditados aos gênios reconhecidos da pintura.

O holandês Han Van Meegeren (1889/1947) bem que poderia estar em exposição semelhante. Sua arte só foi considerada genial quando ele resolveu pintar “falsos autênticos”. Tornou-se uma espécie de “ghost painter” ao avesso, tomando emprestados nomes já consagrados. No século XX, Van Meegeren não copiou a célebre Menina do Brinco de Pérola de Johannes Vermeer (1632/1675), como teria sido capaz de fazer. Foi muito além: ofereceu ao mundo seis “novos” Vermeer.

Um deles, Cristo e a Mulher Adúltera, foi comprado pelo monstruoso amante das artes, Hermann Göring, “vice” de Hitler – o que rendeu a Van Meegeren no final da guerra um julgamento como colaborador do regime nazista, muito embora, na realidade, ele tenha passado a perna em Göring. Sobre este episódio, há um bom filme do diretor Dan Friedkin, com o ator Guy Pearce: O Último Vermeer.

A falsificação de obras de arte é um ardil, com intenção de substituir algo já criado. No entanto, as cópias podem ser lícitas se não prejudicam ninguém. Mas, o que dizer do falso que inova, como fez o holandês Van Meegeren? É como se ele tivesse composto a Décima Sinfonia de Beethoven.

De minha parte, desprovido de recursos e interesse para frequentar leilões, além de discordar de quem considera de mau gosto decorar paredes com reproduções, satisfaço-me com meus posters. Possuo um Van Gogh, um Di Cavalcanti, um André Derain, um Vlaminck e, agora mesmo, se olhar para cima, vejo um dos meus Matisse – Les Toits de Collioure, Os Telhados de Collioure. O original está no Museu Hermitage, em São Petersburgo.