VAR é a sigla do momento para os amantes do futebol: Video Assistant Referee ou, no vernáculo, Árbitro Assistente de Vídeo. Ou seria “varnáculo”? Seja como for, no último Fla-Flu, VAR mostrou a que veio. Primeiro, quando o Fluminense marcou um gol. Seu jogador correu para a galera para comemorar, a torcida gritou, jogou pó de arroz para o alto, no entanto, alto lá! O VAR deu as caras, chamou o juiz, que checou o lance num vídeo tape e anulou o que seria o primeiro gol da partida.

Indignados, os tricolores meteram o dedo nos seus celulares e protestaram nas redes sociais. “O Varmengo ataca novamente!” E o jogo continuou zero a zero até que, no segundo tempo, faltando apenas três minutos para o jogo acabar, o Flamengo fez um gol. Gooooool, goooool, gritou o locutor. E gol da vitória no finalzinho tem outro valor. O atacante Gabigol, com seu penteado estiloso, correu para onde havia a geral do Maracanã e tirou a camisa para mostrar o corpo tatuado e levar o esperado cartão amarelo.

Festa para uns, tragédia para outros! A torcida rubro-negra vibrou e soltou fogos. A do Flu, às lágrimas, ensaiava um piti, quando o VAR soprou novamente no ouvido do juiz. Ora, o passe para Gabigol foi dado pelo zagueiro Pablo! E o Pablo não lavou a louça do jantar da véspera. Não pode! A regra é clara! Pablo cometeu uma falta grave. Gol ilegal, lógico! O que prova que nada escapa ao VAR. Aliás, ele já vem sendo estudado para atestar se, na concepção dos atletas, os espermatozoides encontram os óvulos sem faltas anteriores.

Mas, ao contrário do que muitos pensam, o VAR já era utilizado antes da Era Cristã. No Coliseu de Roma, o Imperador-VAR dava a palavra final sobre o resultado do jogo entre os gladiadores. Esticava o braço para as arquibancadas, recolhia mindinho, seu vizinho, pai de todos e fura bolo e, se apontava o mata piolho para baixo, a partida estava liquidada: pollice verso, polegar virado, morte para o adversário! A propósito, uma cena recorrente para a torcida do Vasco, habituada desde priscas eras a ver seus 11 gladiadores no chão ao término das partidas, seja no Coliseu, seja em São Januário.

*Publicado também no blog do Juca Kfouri em 20/7/2023.