Semana passada, uma nova assombração no Rio de Janeiro. Depois da tirolesa do Pão de Açúcar, um empreendimento que vai muito além das fronteiras da nossa imaginação – a franquia de uma loja de mate dentro do Cemitério de São João Batista, em Botafogo.

Acredite, é verdade e, quase morrendo de susto, ouvi uma voz indisfarçável vinda do Além, que confirmou tudo. “Amigo ouvinte. É genial! Aqui no Paraíso, fala-se que instalaram uma lanchonete no meio das sepulturas do São João Batista. Quem teve essa ideia de jerico? Nem o Tinhoso teria urdido algo tão espetacular!” 

E ouvi as gargalhadas de muitos que já foram desta para a melhor, cujos ossos têm exercido a posse mansa e pacífica desse campo-santo. “Quem sabe vão vender cachorro quente, pastel e caldo de cana?”Disse um. “Cana, não. Caninha!”, retrucou o ex-imortal! “Pô, e uísque?” Acrescentou o poeta.

Outras ossadas, no entanto, mais apegadas às tradições, estão indignadas e reviram-se nas covas. Uma delas, de um conde carola, disse que paciência tem limite até para os mortos. “Que degradação! Já não bastam aquelas gavetas toscas a conspurcar o nosso condomínio?!” Outra, que jaz em Botafogo há mais de um século, foi além. “Se eu tivesse pedido asilo à Argentina ou à França, estaria, hoje, no Recoleta ou no Père Lachaise.”

E este zum-zum-zum nos meus ouvidos só acabou quando, pelo Twitter, li que o prefeito poria tudo abaixo. Não o célebre prefeito “do bota abaixo”, que repousa no Cajú, mas o atual, no exercício do décimo primeiro ano na função – uma eternidade para quem ainda vive por aqui e anseia por um mínimo de paz… onde, pelo menos, se mate menos e não se morra de véspera.