Quem tem boa memória – para não dizer os mais antigos – deve se lembrar do ex-ministro da Justiça de Geisel, Armando Falcão. Seu célebre “nada a declarar” tinha a dimensão de que havia muito a esconder e muito mais a investigar. Mas se uns eram parcimoniosos ou omissos ao extremo, outros, no presente, exageram.

Não é preciso declarar e achar tudo a cada segundo. A ansiedade por notícias e declarações é insuportável. Maldito Twitter! Equivale a uma corrida insana por furos de reportagem e para se mostrar bem informado. Afinal, informação é poder. Por outro lado, o excesso de notícias é responsável por avalanches de irrelevâncias, como a história da compra da gravata em Lisboa. Não acredito que você não leu ou não sabe do que se trata! Vaias!

Observe também a cobertura que se faz da vida do ministro da Fazenda Haddad. Se ele se coça, um segundo depois o mercado, a Globonews, as “concorrentes news”, seus inimigos e amigos reagem com ares de importância ao que pode ser uma simples pulga! Mesmo que sejam oxiúros, para que o alarde? Com certeza, para nos infernizar! Deixem o Haddad se coçar em paz!

Guardadas as devidas proporções, no passado, antes do advento da Internet, eu também detestava sair de um bar sábado à noite e encontrar o jornal de domingo à venda na esquina. E se o papa morresse de madrugada? Se a Cinderela não parasse de dançar à meia-noite? Quem noticiaria? Mas ainda prefiro jornais de amanhã vendidos hoje do que um presente insepulto, que se confunde com o futuro.

Portanto, os jornalistas, analistas de mercado e formadores de opinião precisam dormir em paz e deixar seu público-alvo na santa paz também. Segurem suas línguas e amarrem os seus dedos! Sinto falta de ler e me surpreender com as manchetes dos jornais lidas depois do café, de pé, diante de bancas que, hoje, infelizmente, só vendem bala, biscoito, refrigerante e raspadinha. Um estraga-prazer vai dizer que lê quem quer, liga a TV, o rádio ou vê o celular quem quer. Se intoxica de informações quem quer. Eu o mandaria para determinado lugar, mas me reservarei o direito de nada declarar.