
No meio de uma plateia, modelos com a cara fechada avançam até o fim de uma passarela e voltam rebolando para sumirem no fundo de um palco. Cruzam com outras modelos que fazem o mesmo. E o que vestem? Que roupas! Já vi uma top model enrolada numa espécie de plástico filme usado para cobrir comida na geladeira. Outra, de frente vestida como uma astronauta e de costas como veio ao mundo. E que chapéus?! Estes, talvez sejam vendidos para a Casa de Windsor…
No final do desfile, o costureiro, triunfante, cercado pelas suas modelos, tem na mão uma flûte de champagne borbulhando e recebe a ovação dos convidados. Fora das revistas e da TV, nunca vi tanta excentricidade, mas percebo que o mundo da moda gira rápido e novos conceitos surgem. Comento o fato com minha mulher e a lembro de um casamento que fomos no ano passado. “Mauro, você não vai escrever isso, não é?!” “Lógico que não, querida!”
Lá estava eu, de pé, na frente da Igreja, esperando a noiva. Não a minha. Olhei para baixo, vi meus sapatos, a barra da calça e pensei que estava a caminho do trabalho. O nó da gravata me dizia o mesmo. Mas, não, havia muito perfume no ar e muito brilho ao redor.
Agradeci a Deus porque estávamos em julho e a temperatura era amena. O inverno, sem dúvida, é a ocasião mais elegante para um casamento, sobretudo para os homens, que não usam saias ou aqueles vestidos “tomara que caia”. Aliás, creio que é um tipo de roupa que provoca uma certa tensão. Nove em cada dez mulheres, a cada dois minutos, puxam o tronco do vestido para cima. As alças saíram de moda?
O atraso da noiva respeitou o protocolo. Aquele momento inicial é para os convidados desfilarem. E por que não?! Ali se lança moda! Vi mulheres enfeitadas como pavões e vestidas como lagostas, com caudas, antenas e escamas brilhantes. E uma cena pitoresca: duas convidadas deram um grito, ao perceberem que não estavam diante do espelho, e, sim, usando vestidos idênticos.
O tempo firme não pôs em risco os penteados até que, por fim, lá veio a noiva, toda de branco. Subiu uma pequena escada e seguiu para o altar ao som da Marcha Nupcial. Como o atento leitor pôde perceber, não fui indiscreto em momento algum, como minha companheira temia. Calei-me sobre os figurinos mais gritantes, como o traje peculiar da mãe do noivo. A distinta senhora parecia estar sobre um rochedo de tecidos engomados que dificultavam um cumprimento mais caloroso sem tropeços. Aliás, prenúncio de uma ótima relação sogra-nora.
Mas, no geral, reinou a elegância. Se lá estivesse, Madame Chiang Kai-shek teria aprovado tudo e, como nós, brindado à felicidade dos noivos com flûtes de champagne borbulhando e na temperatura correta.