Quando o episódio do “suposto” contrabando de joias da Arábia Saudita veio à tona e foi citado o nome de um dos seus protagonistas, tive uma sensação de déjà vu. Brilhantes avaliados em R$ 16 milhões foram transportados pela comitiva do almirante de esquadra Bento Albuquerque e seriam entregues ao então presidente da República.

Até aí, afundou o Cisne Branco**. Um escândalo a mais um a menos, envolvendo o antigo governo e uma parcela expressiva das Forças Armadas, comandadas pelo Capitão Messias, não faria diferença. Mas o nome do tal almirante me era familiar… Bento Albuquerque?…

Eis que um bruxo baixou em mim. Homônimo! Bento de Albuquerque Santiago ou Bentinho é um personagem central do clássico Dom Casmurro de Machado de Assis! Quem nunca ouviu falar da história de Bentinho e Capitu?

Que coincidência lastimável! O livro de Machado, do “nosso” Bentinho, manchado por uma trama mequetrefe estrelada por um almirante subordinado a um capitão tosco! Imagino o que o escritor Sergio Rodrigues, autor do genial livro A Vida Futura, que transportou Machado de Assis ao século XXI, diria sobre o Bento das Joias…

Não sou de trocadilhos, mas, assim como são indissociáveis os nomes Bentinho e Capitu, a Maria Capitolina da obra-prima de Machado, é difícil não associar o almirante Bento ao presidente Capitão. E, baixando mais o nível, indago: nessa história mal cheirosa, o Capitão trairá Bento? Bento trairá Capitão?

Aguardemos os próximos capítulos. Línguas ferinas me sopraram que todo mistério está gravado no célebre pendrive que rumou no sentido inverso dos diamantes nas mãos de um dos filhos do ousado Capitão.

**Cisne Branco é um belo veleiro da Marinha brasileira, que, segundo consta do sítio eletrônico desta força armada: “exerce funções diplomáticas e de relações públicas”, assim como preserva as tradições navais.