Meu daltonismo conduziu-me a um pequeno estudo sobre as cores. O que são as cores? Perguntei ao oráculo da Internet e uma profusão de textos surgiu. Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Goethe se debruçaram sobre o fenômeno das cores, da incidência da luz sobre os objetos, da percepção do olho e do olhar.

Segui lendo e aprendi que existem cores primárias, secundárias, terciárias… O céu é azul porque a luz do sol é refratada e atinge os átomos dos gases oxigênio e nitrogênio! É óbvio, não é? Mas antes de cair num buraco negro maior do que a minha ignorância, lembrei-me das aulas de química e de álgebra e me afastei rapidamente da pesquisa.

Era preciso proteger os meus neurônios! Ciência não é para mim. Quando muito, a Patafísica – a ciência das soluções imaginárias. É libertador inventar as respostas para os mistérios que nos cercam sem o rigor científico! E filosofei livremente sobre uma das cores, o marrom. Corzinha complicada, o marrom…

Nos exercícios de meditação, nunca recebi instruções para visualizar uma luz marrom. Também não tenho notícia de que as princesas dos contos de fadas se vestissem de marrom. Alguém já imaginou Cinderela chegando ao baile do príncipe vestida de marrom? Da mesma forma, o Aston Martin do double-0-seven jamais seria marrom. Never!

Digo mais: não conheço nenhuma flor marrom. O sujeito se apaixona por uma mulher e manda-lhe uma braçada de rosas marrons no dia seguinte?! Murchas, talvez. Ou seja, marrom é daquelas cores que, quando muito, não fedem nem cheiram – por incrível que pareça!

Por fim, imagine Édith Piaf cantando que quando ele a abraça e fala baixinho, ela vê la vie en marron! Socorro! Cadê o rosa? O azul, o amarelo e o vermelho?! Verde, para mim, é complicado. Os daltônicos são frequentemente traídos pelo verde. Mas marrom é dose!

Outro dia li sobre o que supostamente seria uma canção marrom: o brown noise, que, numa tradução literal, seria ruído marrom. Não se trata de uma música relaxante, mas de um som que pode ajudar os insones a dormir e os desatentos a se concentrar.

De todo modo, descobri que não é brown noise por conta da cor; é pelo nome do cientista do século XIX, Robert Brown, que estudou os sons da natureza. Por sorte, ele não se chamava Robert Black… Eu teria que reescrever este último parágrafo ou discorrer sobre o preto, que nem sei se é uma cor.