
Na próxima quarta-feira, 513 deputados federais e 27 senadores tomarão posse como representantes dos brasileiros e dos seus estados. Espero que tenhamos escolhido bem, apesar do péssimo hábito de não lermos o manual de instruções daquilo que compramos, no caso, de quem elegemos.
Mas o problema, creio, é que a maioria dos parlamentares também não leu o “manual dos manuais”, a Constituição de 1988 – documento que o ex-deputado Ulysses Guimarães ostentou com orgulho justificável. Desconhece, por exemplo, o artigo segundo do manual: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”
Independentes? Fala-se muito em “presidencialismo de coalizão”, mas nosso sistema de governo talvez seja uma espécie de parlamentarismo de ocasião. No lugar de seguir a Constituição, nossos representantes preferem seguir a intuição para alcançarem a reeleição. Quem foi eleito para legislar deseja executar! Quer governar diretamente, pulando a cerca do Legislativo para o Executivo, ou através da indicação de afilhados. Tudo, lógico, pelo bem do Brasil.
Mas este texto está destoando. A hora é de união e otimismo. Deputados e senadores trabalharão pelos objetivos traçados no terceiro artigo do manual. Quem não os conhece? “Construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” Ao trabalho, então! Mas, por favor, leiam o manual!