O caso das Lojas Americanas é mais sério do que eu pensava. A mão boba invisível do mercado foi tão liberal, que pegou o trio de mega investidores Lemann/Telles/Sicupira de calças na mão. Em nota pública veiculada nos jornais do dia 23 de janeiro, os três se declararam surpreendidos, afirmando que nem uma das maiorias empresas de auditoria do mundo apontou quaisquer inconsistências nas contas das Americanas. Em outra reportagem – parece piada – fala-se dos cotistas do “Nu Reserva Imediata”, do Nubank, que levaram a pior e perderam até a roupa de baixo.

Portanto, é possível que estejamos diante de um crime financeiro perfeito. Follow the money, dirão alguns, mas o dinheiro sumiu, ninguém sabe, ninguém viu. A essa altura, dezenas de bilhões de reais devem estar travestidos de criptomoedas, de títulos da dívida paraguaia ou, quem sabe, na forma de um novo diamante Pantera Cor de Rosa.

Só sei que eu não tenho nada a ver com isso! Na época em que cruzava as Lojas Americanas na minha infância, da Praça Saenz Pena à Rua Santo Afonso, num atalho para chegar ao Bob’s, nunca tive a coragem de um amigo que enchia os bolsos de balas e chicletes. Vontade não me faltava. Mas o medo de ser apanhado era maior e, hoje, ninguém pode me acusar de ter contribuído para o fim das Americanas. Ele, cuja identidade eu preservo, em respeito aos seus filhos e netos, não deve estar dormindo, corroído pela culpa de ter subtraído ativos dessa tradicional empresa.

Brincadeiras à parte, uma coisa parece-me evidente: a conta desse rombo não será dividida pelo afamado trio de mega-investidores brasileiros. De patetas, eles não têm nada e já devem ter acionado seus advogados para escapar dos credores e acionar o Estado. A Receita Federal não desconfiou de nada? O patrimônio dos brasileiros é saqueado e eles não reagem?! O Governo precisa agir, no mínimo, abrindo uma linha de crédito para preservar o emprego das pessoas. Não é à toa que o Mercado fica nervoso. O Ricardão Eletro pega a Americanas e ninguém faz nada?!