Há duas semanas, comprando queijo na feira, lembrei-me do meu avô Adriano. Eu costumava ir com ele ao Queijeiro da Muda, um pouco acima da Rua Uruguai, na Tijuca, e não me esqueço do seu tato para escolher o melhor queijo de Minas.

Já escrevi aqui que ele adorava vacas e viagens. Teve muitas vacas, até um laticínio, mas não realizou o sonho de viajar pelo mundo, sobretudo, à Europa, aos pastos da Suíça, dos Países Baixos e da Normandia. Ele tinha uma queda especial pelas holandesas; as vacas.

Terminei a compra e me dei conta de que precisava resgatar o Velho entre os objetos deixados pelos meus pais – uma escultura de bronze que sempre associei ao meu avô. Não podia deixa-lo para trás.

Ainda não sabemos exatamente onde colocá-lo. Talvez, ao lado da poltrona que também foi dele e de onde o via frequentemente suspirar de uma forma peculiar. Ele dizia: “ai, ai, Teresa”. Quem teria sido essa Teresa? Ele nunca escondeu a paixão pela minha avó, Anna. Jamais entendemos por que evocava o nome Teresa.

Quando foi lançado o livro Teresa Batista Cansada de Guerra, de Jorge Amado, brincava-se que o escritor, conterrâneo do meu avô, se inspirara nele, que se chamava Adriano Baptista de Carvalho. Batista como Teresa, e, naquela altura da vida, bastante cansado. Imagino que suspirasse também por um tempo que não voltaria.

Hoje, escrevo de Portugal. Meu avô ia adorar conhecer a terra de seu pai, também Adriano. Não pesasse 15 kg, tal como no filme Amelie Poulain, eu teria trazido o Velho, que certamente se deixaria fotografar por toda parte. Não há muitas vacas em Portugal, mas já passei por cabras simpaticíssimas. E que queijos!

Saúde e Feliz Ano Novo para todos nós! 2022 não foi fácil.