
Sair de um grupo de WhatsApp é uma atitude drástica. Não daqueles grupos efêmeros por natureza, formados para ocasiões específicas. Trato dos grupos familiares, dos grupos de amigos e de trabalho, que podem ser muito práticos, mas não sei não…
Em geral, essa reação disponível na telinha de um smartphone é avaliada como passional, acompanhada da expectativa de um retorno, ou encarada como uma covardia que validaria o banimento do conjunto. No mundo que costumava ser o real, sair de um grupo desses equivaleria a levantar da mesa, dar as costas aos presentes e tomar outro rumo. Uns diriam “deixa ir” outros insistiriam na conversa.
Pelo que sei, a maioria dos usuários do WhatsApp reconhece que esse canal é sujeito a muitos ruídos de comunicação – o que um escreve não é necessariamente o que o outro lê, e, se há mais gente envolvida na conversa, o furdunço pode ser maior. Também há os que nunca se expressam, os voyeurs, que só leem e se comprazem com o que os outros fazem. São os isentões.
Anjinhos e diabinhos sopram o tempo todo nos nossos ouvidos o que gostariam que fizéssemos: “escreva isso”; “responda aquilo”; “saia do grupo!”; “fique no grupo”. Lady Macbeth mandou o marido sair do grupo. Maquiavel recomendou ao Príncipe que permanecesse em todos para adotar a melhor estratégia de relacionamento.
Seja como for, há um sábio conselho que recomenda que não devemos escrever nada que não possamos dizer pessoalmente – o que procuro seguir à risca, mesmo que não veja mal algum que vez ou outra a reação seja ao estilo de Dercy Gonçalves, que, com seu talento e personalidade ímpares, em momentos mais inflamados, adota uma atitude mais libertadora, honesta e eloquente, que lava a alma, seja no ambiente virtual, seja no real.