Não sabemos para onde caminha a humanidade, mas sem dúvida estamos indo rápido demais. Um volume insano de informações é despejado diariamente sobre nossos combalidos neurônios, sendo impossível processar a maior parte.

Semana passada, li três reportagens inquietantes. A primeira dava conta de uma baleia da espécie beluga, rumando para Paris pelo rio Sena. Em seguida, uma matéria sobre o leilão de uma cueca do príncipe Harry, que prometia ser arrematada por um milhão de dólares. É certo que o pai do príncipe já tinha tornado famoso o absorvente higiênico da Duquesa da Cornualha, mas um milhão de dólares por uma cueca?!

A propósito, pode ser útil saber que os escoceses não usam cuecas sob seus kilts. Quem assistiu ao filme Coração Valente, estrelado por Mel Gibson, deve se lembrar da cena de uma batalha em que os escoceses se viram de costas para provocar os soldados ingleses, mostrando-lhes as nádegas – o que me conduz à terceira reportagem inusitada: o talco Johnson não será mais fabricado porque pode causar câncer.

Tudo isso será fato ou fake? O fato (ou o fake) é que a baleia, a cueca e o talco me lembraram Pantaleão, um dos célebres personagens de Chico Anísio. Creio que nem ele, com sua imaginação fantástica, incluiria no seu repertório de mentiras que baleias podiam ser avistadas da Rive Gauche, que uma cueca valeria tanto dinheiro e que o talco Johnson faria mal a milhões de bumbuns que buscavam alívio para assaduras.

Já não duvido de mais nada e é bem possível que a revista Science publique, na semana que vem, uma pesquisa que condene a canja de galinha, que, segundo cientistas, junto com a prudência, fariam mal aos seres humanos. Tempos muito difíceis os que vivemos. Para quem se acha sabichão, acho que #somostodospedrobó.