
O gênero da ficção científica está longe de ser meu preferido, mas lembro-me de ter gostado muito, na infância, de A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne, e também de 20 Mil Léguas Submarinas e Viagem ao Centro da Terra, do mesmo escritor, adaptados para o cinema e estrelados por James Mason e Kirk Douglas.
Três deliciosas viagens juvenis, escritas no final do século XIX, que, além de toda fantasia, comprovaram a capacidade de Jules Verne de antever o futuro. Ele teria previsto o submarino, os detalhes da viagem à Lua, a existência da televisão e até dos telejornais. Mas, hoje em dia, com a internet ao alcance de muitos, nem sei se há espaço para fantasias e previsões sobre o futuro, a não ser as catastróficas ou das viagens no tempo justamente para evitar as primeiras.
Crianças do passado, creio, imaginavam mais porque ignoravam muito mais. Invariavelmente, minhas viagens ao centro da Terra começavam na praia, quando cavava um buraco bem profundo e chegava na China que, segundo outro escritor, quando acordasse faria o mundo tremer. E eu achava tatuís.
Por outro lado, é bobagem supor que a mente humana deixa de fantasiar porque dispõe de múltiplas fontes de informação. No livro contemporâneo “Máquinas como Eu”, do excelente escritor inglês Ian McEwan, conhecemos Adão, um humanoide, à venda no mercado, programável pelo proprietário e que surpreende muito. Certamente há outros bons livros do gênero que não chegaram ao meu livro/biblioteca chamado Kindle.
Também não posso deixar de mencionar aqueles que negam a Ciência e habitam numa Terra plana – seres terrestres que talvez projetem o mundo a partir de um gênero peculiar, o da ficção anticientífica. E juro que não me passou pela cabeça os que exaltam a tecnologia do papel carbono e atacam as urnas eletrônicas de um futuro que já chegou.
Vade retro! Melhor descer âncoras no passado e voltar ao tempo dos homens maravilhosos e suas máquinas voadoras. A realidade de um passado mais distante podia ser pior que a do nosso presente, mas o futuro sempre foi uma boa aventura. Hoje, o gênero que prevalece é do terror.