
Sem fôlego para me relacionar com o mundo, com suas guerras e analistas, buscando desesperadamente a porta de saída para o bom humor, como tantas abertas pelo Ziraldo e pelo Pasquim, volto a um tema universal sobre o qual não há um único ser humano que não tenha tido uma experiência relevante. Trato dos nossos intestinos e daquilo que produzem, seja no estado sólido, nas suas mais variadas formas, no estado líquido, como reação a uma ingestão temerária, e, por fim, no estado gasoso – um blefe, um prenúncio, mas que pode produzir sensações muito desagradáveis, sobretudo, quando urdido em silêncio.
Sobre esse tema, contei aqui três experiências parisienses: duas pessoais e uma do meu amigo Zé. Todas aflitivas, mas reveladoras. Travei contato pela primeira vez com uma privada turca, depois, com uma máquina francesa, e Zé, coitado, sem alternativas para encontrar a melhor louça – turca, inglesa, russa ou ucraniana – sacrificou o mapa que pegara nas Galeries Laffayettes, muito embora a gramatura do papel não fosse a mais acertada para o feito (links abaixo).
Mas chego ao ponto! Não importa que sejamos de esquerda, de direita, não binários ou trinários – todos nós temos necessidades fisiológicas e precisamos expulsar os “demônios” que estão dentro de nós. A questão é saber fazer com educação, sem prejudicar o próximo, com um mínimo de recato com a parceira ou parceiro, e, de preferência, reconditamente. Mas há quem faça desafiando o mundo, de porta aberta, sem dar a descarga ou, ainda pior, invadindo a casa do vizinho para servir-se de uma retrete que não é sua.
E trago outro caso próximo, de um primo na Barra da Tijuca pelos idos de 1975, em plena ditadura militar. Rogério, que infelizmente não está mais entre nós – grande sujeito, bom companheiro -, estava pegando jacaré e se divertindo com os amigos, quando sentiu algo mais forte do que podia suportar, dentro dele. A Barra era quase deserta. Restaurante do outro lado da rua não havia, no máximo um trailer aqui ou lá longe.
Mas numa fração de segundos, Rogério se lembrou que meu pai tinha trabalhado na obra do interceptor oceânico, uma espécie de merdoduto, que lança no oceano o produto da digestão carioca. O mar estava calmo. Ele deu algumas braçadas na direção do mar profundo e, quando se sentiu só na imensidão azul, lançou os seus mísseis no Atlântico Sul, certo de que não causaria mal a ninguém. Nenhuma OTAS – Organização do Tratado do Atlântico Sul teria que ser formada…
Muito aliviado e certo de que havia tomado a melhor decisão, Rogério venceu a arrebentação e foi ter com seus companheiros na areia branca da praia. Sorrindo, perguntou: “e aí, pessoal, tudo em paz?”. Mas não pôde crer no que ouviu! “Géo, cara! Que troço marrom é esse grudado nas suas costas?!”. Eu não estava lá, mas respondo sem pestanejar: o vácuo, meus amigos, o vácuo! E há quem defenda a utilização de bombas de vácuo pelo doido do P… Mas deixemos pra lá! Os especialistas em bombas discorrerão sobre todas, sobre quem jogou qual primeiro, seus efeitos morais e por aí vai.