
Quando o WhatsApp surgiu, desconfiei bastante. Tudo bem, ninguém mais manda carta ou postal – uma pena -, mas já tínhamos os e-mails e os telefones celulares. Não importa! Essa nova ferramenta de comunicação digital se impôs e, a reboque, vieram os grupos de WhatsApp.
Finalmente, a tecnologia fria e impessoal uniria famílias, colegas de trabalho, amigos do ginásio, da faculdade, sem importar o lugar do planeta onde estivessem. Que festa! O novo sistema permitiria a troca rápida de experiências, de boas notícias, comentários sobre livros, filmes e, como a vida ainda não é cor de rosa, serviria para compartilhar problemas na busca das melhores soluções. Definitivamente, o WhatsApp ganharia o Nobel da Paz.
Mas o tempo nem passou tanto e o Zap Zap tornou-se um embaraço para alguns. Culpa da nossa inteligência animal, lógico! Tendemos a estragar as boas oportunidades sempre que encostamos o dedo para digitar. Sobretudo no seio dos grupos. Alguns participantes perdem a linha… Baterias e ética precisam ser adquiridas à parte.
Por essa razão, com tato, fui dizendo ao povo que não ficaria (no sentido de permanecer!) e abdiquei da honrosa participação na maioria dos grupos. Melhor assim. Afinal, os sobrinhos do Pato Donald andam brigando demais. Ninguém mais dá boa noite para o John Boy no grupo dos Walton e a família Dó-Ré-Mi passou a desafinar muito. E nem falo dos áudios e dos textos intermináveis… Não era para ser rápido?
Permaneço apenas no grupo do trabalho – contracheque “oblige” -, em outro que trata dos cuidados com meu pai e – não conte a ninguém – num de velhos amigos do Colégio de Aplicação. Este só distrai. O administrador, que mora nos Estados Unidos, nos oferece uma visão plural, de diversas posições e ângulos de temas caros da nossa adolescência, revisitados quase meio século depois. Cultura!