Tia Maninha era hipocondríaca e um de seus hábitos mais curiosos era o de tentar governar o intestino, alternando doses de laxantes e constipantes. Mas os resultados não a satisfaziam. Era uma perfeccionista. Lembro-me disso em razão dos noticiários da semana, que tratam da mais recente constipação do atual presidente da República.

 

Seus detratores garantem que é pura encenação com fins eleitorais. Um jornalista da imprensa marrom afirma que, segundo fonte segura, Sua Excelência dispõe de uma passagem privativa e secreta até a retrete presidencial e, como tem o hábito de acionar as Forças Armadas, mas jamais a descarga, deixou flutuando na louça dois Monte Cristos número dois. E assevera que a suposta sonda nasogástrica é como aquelas gravatas de ganchinhos de nós falsos. Mas deixemos a Constipação Federal para lá. Não cheira bem.

 

Quem não tem um parente ou um amigo para quem você pergunta se está tudo bem e a resposta é um prontuário médico de dez laudas?! “Você precisa ver como estão as minhas taxas… um horror!” “Quer dar uma olhada na minha última tomografia?” “Não saio de casa sem meu oxímetro!” Mas o hipocondríaco raiz não finge estar doente, não é dissimulado, apenas observa o leque de doenças com mais atenção e não se furta a estudar todas as bulas. Se o Brasil tivesse um ministro da Saúde hipocondríaco, centenas de milhares de pessoas não teriam morrido da Covid.

 

E ouso dizer que a nossa economia também estaria muito melhor se fosse comandada por alguém com o perfil da minha tia Maninha, no lugar do pior representante da Escola de Chi-ca-go. Além do fato de sempre ter sido sensível às pautas sociais, saberia aplicar o remédio certo para as flutuações econômicas. Esperar o bolo crescer, por exemplo, ela sabia que poderia provocar azia ou uma constipação terrível. Tia Maninha preconizaria o equilíbrio do país, com a contenção dos excessos. Uma economia frugal e solidária, muito diferente dessa M em que se transformou o Brasil.