
Minha sobrinha levou a linda Alice à feira e disseram-lhe o que ouvíamos muito quando Cecília era pequena. “Coloque um raminho de arruda nessa menina! Ela brilha muito!” É verdade, ela chama muito a atenção. Mas nunca fui de acreditar em mau olhado, apesar de que, desde que nos mudamos para um apartamento maior e com o meu sonho de consumo: uma varanda (!), as coisas andam meio esquisitas. Minha companheira surgiu com um abcesso que lhe valeu uma semana de hospital. Torci o joelho, tive que recorrer num processo que julgava ganho, caí na Malha Fina da Receita, Cuscuz está com dermatite e Cecília pegou a Influenza.
Infortúnios normais, coincidências? Que nada! Ontem, um sinal me deu a certeza de que forças ocultas pairam sobre a nova vizinhança. Depois do jantar, quando estava a ponto de me largar no sofá para assistir à ótima série chamada, acredite, “Inacreditável”, avistei uma perereca sobre uma almofada. Como ela foi parar ali?! Estamos num bairro movimentado de uma grande metrópole, a 15 metros de altura do asfalto! O que fazer? Mato barata numa boa, mas uma perereca? Não, coitada! Therezinha, que trabalhava conosco em Secretário e é meu modelo de coragem, matava uma jararaca sem susto, assim como expulsava os morcegos invasores com facilidade, mas não podia com uma perereca. Se aparecesse uma, ela pedia socorro.
Era impensável chamar o porteiro. A desmoralização seria total e muito cedo. O fato é que lá estava o raio da perereca no sofá. Enquanto Cecília gritava, mas não largava o celular para filmar, e Sonize se trancava no quarto, peguei um pano de chão e fui na direção da bicha. Sem me conhecer, ela deve ter ficado apavorada com a minha aproximação e pulou até uma jarra com flores perto da janela. Mas quando eu já estava a ponto de jogar a linda jarra e as lindas flores para fora, assumindo o risco de cair em alguém na portaria, por vontade própria, a perereca se foi. “Não acredito que vocês duas tem medo de uma pererequinha?”, triunfei diante das meninas. “Pensei até em mantê-la aqui conosco e escolher um nome simpático… Que tal Janete?” Disfarcei, fechei as janelas e, por fim, sugeri que defumássemos a casa e pendurássemos um galho de arruda nos nossos pescoços.
Maurinho querido, tendo a achar que se trata de um rito de passagem: depois da minha última mudança (e tanto!) há um ano, já quebrei um ossinho do punho – cujo nome esqueci, felizmente -, torci o pé que levou meses para ficar bom, levei um tombo de bicicleta que me deixou uma cicatriz e tanto na mão, participei de uma busca e apreensão em que havia coletes à prova de bala para os quatro policiais, e nenhum para a intérprete aqui, mas também tive a alegria de ver florescer um cacto, o que, na memória da família, jamais havia acontecido. Sei que o cacto de vocês há de dar flores em breve para afastar qualquer perereca metida. Beijos e um Feliz Natal para vocês!!
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É isso mesmo, querida. Que rito de passagem! Mas o melhor é que, assim que o vírus deixar, vou comprar uma passagem para a França para curtirmos juntos os bons ritos. Beijos
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Oba! Estou aguardando vocês feito o Redentor!! Tomara que seja o mais breve ´possível!
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olha, eu nem me mudei, mas conheço essa tempestade maligna! não sei o que recomendar, mas o incenso pela casa, com as portas e as janelas abertas, pode ajudar. se tiver fé, é claro. no mais, uma perereca pode render uma boa crônica e uma catarse.
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❤️❤️
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