
A caminho do trabalho, entre o Passeio Público e a Câmara Municipal, conto o número de lojas fechadas, de prédios vazios e de pessoas deitadas nas calçadas, também com olhos fechados. As vitrines das Lojas Americanas, enormes, sequer expõem o que se vende dentro. Antes, nesse prédio, havia a Mesbla, uma loja de departamentos de muitos andares – um dedicado apenas a instrumentos musicais. Era possível comprar ali um piano de cauda!
Entro numa farmácia. Tem sempre alguma coisa para comprar nelas… E não apenas remédios… Comprei um Chica-Bom e continuei a caminhada. Há muito tempo que não existem sorveteiros. Pela Senador Dantas, avisto a lateral do Edifício Serrador, por onde seu último inquilino poderoso entrava de carro com o seu cachorro, Eike Sempre Ele Batista, como um colunista chamava esta sua fonte inesgotável. Mas até ela secou.
Outras lojas fechadas e, na primeira esquina, nem o Jorge, o engraxate que deixa meus sapatos novos, está por lá. O trono alto, de onde é possível ler o jornal enquanto Jorge trabalha, também não está na calçada. A Tele Rio Times Square está fechada, assim como a relojoaria, a ótica e uma loja de presentes. Saudade dos passados…
Do outro lado da rua, mais portas de ferro cerradas e pichadas, inclusive as do Cinema Vitória, que chegou a renascer na forma da Livraria Cultura, mas também a perdemos. E tanta distração e desilusão, que eu me esqueci de comprar um remédio. Mas para isso não preciso voltar. Tem outras farmácias adiante. Só elas.