Esta semana, como de hábito, não fez nenhum sentido a frase do atual presidente da República sobre o “passaporte vacinal”, reforçada pelo seu ministro auxiliar da Saúde, cuja subserviência provoca urticárias: “Melhor perder a vida do que a liberdade”, disse Sua Excelência. A falta de cultura e de porta-voz, aliada à conhecida má fé, sempre exige a releitura e o trabalho dos melhores analistas políticos do país. Todos se debruçam sobre os pronunciamentos presidenciais para extrair algo que faça sentido e, invariavelmente, concluem o pior.

Ou será que somos todos toscos e não compreendemos a dimensão das falas do comandante em chefe das Forças Armadas? Será que, no futuro, esse capitão da reserva será comparado ao general romano Pompeu, que, antes de Cristo e bem antes da Covid, cunhou a célebre expressão “Navegar é preciso, viver não é preciso”, que, 20 séculos mais tarde, Fernando Pessoa nos ensinou?

“Melhor perder a vida do que a liberdade!” Imagino que essa lógica foi aplicada em regimes de exceção. Era melhor tirar a vida dos presos políticos do que privá-los da liberdade – atos de extrema bravura e misericórdia do tipo que os militares argentinos faziam ao jogar seus presos no mar. Para navegar? Não! Era para desaparecerem do mapa.

Mas deixemos o passado para trás e projetemos o futuro. No primeiro domingo de outubro de 2022, os brasileiros escolherão o que é preciso, o que é melhor. Navegar? Em círculos, não é inteligente! Vacinar? Estudar? Pesquisar? Preservar? Acolher? Perdoar? Amar? Cantar? Ler? Dançar? Sambar? De fato, serão muitas questões em jogo e, na minha opinião, diretamente associadas a outra crucial: viver ou admitir a reeleição daquele cujo nome detesto digitar?