A história da menina que pedia socorro à família, fingindo-se afogar, é uma velha conhecida da minha filha. Assim como os Três Porquinhos, que me ajudaram a ensiná-la a ser prudente, a menina do lago servia de alerta para as consequências das mentiras. “Sabe, Cecília, um dia, a menina estava realmente se afogando e ninguém acreditou”. 

Ela era bem pequena e, seguindo a tradição da minha mãe, eu atenuava os finais mais dramáticos das histórias. Pela minha versão, a menina não tinha morrido, mas ficado uma semana no hospital, tomado muita injeção e escapado por muito pouco. Mais tarde, descobri a versão inglesa desse conto infantil e a expressão “cry wolf”. A moral da história é de que ninguém deve gritar lobo para assustar as pessoas, pois no dia em que for verdade ninguém acreditará e todos serão atacados.

 Hoje, essa história de boas lembranças surgiu com péssimas sensações. No caso, por conta dos recorrentes desmentidos do verdadeiro predador da espécie dos brasileiros. Ele grita lobo, mente descaradamente, ofende Deus e o mundo e, em seguida, esclarece que não era bem assim, que foi mal interpretado e recua. Será que alguém minimamente sensato, que saiba fazer as quatro operações, ainda acredita e se dispõe a conversar com essa figura execrável? 

 Sentar-se à mesa de negociações com um louco ou com um lobo – no mau sentido – seria de uma ingenuidade próxima da burrice. Não tem conversa! Ele trairá sempre, assim como os seus quatro porquinhos bem cevados que compram mansões e apartamentos com dinheiro vivo. O bando não têm medo dos outros animais. Eles põem fogo na floresta e têm fuzis com mira telescópica para abater os que surgem no caminho. Precisam ser detidos já. Quanto mais acuados pela revelação do que fizeram e fazem habitualmente, mais perigosos se tornarão. Acredite! Não é lobo! É golpe! É golpe!