Muito antes da disseminação das arapongas eletrônicas e da facilidade de interceptação de mensagens e de todo tipo de indiscrição, um grande amigo costumava dizer que não deveríamos fazer nenhuma crítica que não pudesse ser feita em público, assim como não escrever nada que não pudesse ser dito tête-à-tête. Ao agir dessa forma, não erraríamos no tom, evitaríamos constrangimentos e elevaríamos o nível de qualquer polêmica.

Mas o conselho parece ingênuo diante do alcance dos espiões eletrônicos contemporâneos. Eles se prestam a mais do que constranger pessoas… Informação sempre foi poder, mas a velocidade com que ela é processada atualmente ultrapassa a capacidade do homem de absorvê-la e agir com um mínimo de prudência.

Pégaso, o cavalo alado da mitologia grega, dá o nome a um desses gadgets. Desenvolvido em Israel, teria grampeado até mesmo os telefones do presidente da França, Emanuel Macron, e me arrepio só de imaginá-lo em mãos toscas e ainda mais perigosas. Alguém já se deu conta de que Pégaso não estará apenas a serviço de Sua Majestade e, sim, de outros mitos e filhos de mitos, que não seriam propriamente o Curupira nem o Saci Pererê? É assustador! O sistema israelense parece ter saído de um filme inédito do 007, em que a Spectre leva a melhor e James Bond morre de Covid.

Mas enquanto houver imaginação e algum humor haverá esperança. O mundo livre poderá se servir de uma ferramenta de criptografia antiga, mas infalível. Recentemente, sua eficiência foi confirmada depois que a nossa agência de inteligência não conseguiu captar o que um grupo de oposição ao governo dizia. A frustração dos agentes foi tamanha, que uma delegação sem máscara foi a Israel para tentar decifrar a tal mensagem secreta. Confira: “Eupeu jápá toupou depe sapacopo cheipeiopo despestepe gopoverpernopo. Fopórapá Bolpolsoponaparopo!” Será que vão descobrir? É top top secret!