
Num intervalo de poucos dias, dois bilionários terráqueos brincaram de astronautas e muitos se perguntam se também gostariam de fazer uma viagem ao espaço, o sideral. De minha parte, penso, mas não escrevo, na expressão cunhada recentemente pelo presidente da República (reprovável, lógico, como tudo o que ele faz) sobre as investigações da CPI da Covid… Ora, francamente, tanta criança passando fome e dois bobalhonários ficam brincando de Apolo e Sputnik?!
Por outro lado, voltando à questão, se viajaria ao espaço, eu, que adoro viajar, respondo sem pestanejar: é lógico que não! Eu voltaria a Paris por dez reencarnações antes de entrar num foguete de graça. E posso encher páginas e mais páginas com indicações de lugares que visitaria e voltaria antes de morrer ou de ir para o espaço, do polo Sul ao polo Norte. A rigor, a excursão interplanetária só ganharia de dois lugares da superfície da Terra: Ewbanc Câmara e Santos Dumont, em MG, sobretudo, a última, antiga Palmira, que ostenta o nome do pai da aviação, coitado.
Ah! Mas meus amigos high techs dirão que esse tipo de viagem bilionária rende avanços à Ciência e salvam muito mais gente do que eventuais ações humanitárias. Muitas utilidades para o homem provêm da corrida espacial. O que seria do mundo, por exemplo, sem as frigideiras tefal? Sem o café embalado a vácuo e o aspirador de pó sem fio?! Ok, vou fingir que acredito que nunca tantos deveram tanto à Nasa, à concorrente soviética e que os senhores Branson e Bezos são heróis. Afinal, os dois magnatas abriram mão de uma vida faustosa (melhor, fastidiosa) para aventurarem-se pelo bem da humanidade. Obrei para os dois!