
No início da semana, a CPI da Covid ouviu o empresário Carlos Wizard (mago, em inglês), um dos apoiadores mais impetuosos do atual governo federal. No entanto, depois de um pronunciamento inicial choroso, em que citou trechos da Bíblia, o depoente calou-se. Invocou o direito de permanecer em silêncio e de não produzir provas contra si mesmo, um direito importante para proteção dos oprimidos – o que certamente não é o caso do empresário.
Wizard não soprou o bafômetro na CPI porque sabia perfeitamente em qual fonte havia saciado a sua sede. Repetiu 70 vezes que, por orientação de um dos maiores criminalistas do país, permaneceria em silêncio. Pena que não se limitou a apertar os lábios na direção dos senadores e a dar uma piscadinha, permanecendo realmente em silêncio. Nessas horas, Clodovil e sua lente da verdade fazem falta. Imagino que dissesse: “Sr. Wizard, olhe para a lente da verdade e responda: o senhor tomou cloroquina ou tubaína?”
A sessão prosseguiu e o depoente resistiu até diante dos carrascos da língua portuguesa. Mas custo a crer que ele tenha se dado conta dos erros de concordância atrozes e do emprego torturante dos pronomes relativos por algumas Excelências. O Sr. Wizard não deve saber discernir o certo do errado, sobretudo, desde que passou a conviver com a cúpula do poder. Ou seria cópula?
Lembro-me também que, em determinado momento, um senador inquisidor se traiu e deu sinais de que já tinha tido uma relação com as empresas do depoente, suponho, em um dos seus cursos de inglês. Disse que a CPI deveria pedir o auxílio do FBI: “esta Comissão deve pedir o apoio do efe-bi-ei”. Repetiu três vezes e Wizard não o corrigiu. Mas, piadas de mau gosto à parte, no geral, o Senado está de parabéns. Desde que a CPI foi instalada, sinto que estamos mais distantes de outro pesadelo em 2022, nem que Incitatus, o cavalo do imperador Calígula, vença a disputa e suba a rampa do Planalto.