
(Continuação da crônica anterior)
Sobre a pandemia no Brasil, Émile Zola talvez escrevesse assim:
“Eu acuso o presidente da República de ter dito, em março de 2020, que o poder do coronavírus estava superdimensionado.”
“Eu acuso o presidente da República de, em 24 de março de 2020, ter se referido à Covid 19 como uma gripezinha.”
“Eu acuso o presidente da República de, em 10 de abril de 2020, quando 1074 pessoas haviam morrido por Covid, ter dito que o vírus parecia estar indo embora.”
“Eu acuso o presidente da República de ter dito que não era coveiro, em 20 de abril de 2020.”
“Eu acuso o presidente da República de, em 28 de abril de 2020, ter dito que era Messias, mas não fazia milagre, quando 5.087 haviam morrido em razão da pandemia.”
“Eu acuso o presidente da República de ter brincado, em maio de 2020, afirmando que quem é de direita toma cloroquina e quem é de esquerda toma tubaína.” Na ocasião, eram 18.013 as vítimas fatais da Covid.”
“Eu acuso o presidente da República de ter dito que a eficácia da máscara era quase nula.”
“Eu acuso o presidente da República de ter dito, em 21 de outubro de 2020, que já tinha mandado cancelar a compra da vacina junto ao Instituto Butantã.”
“Eu acuso o presidente da República de ter dito, em 10 de novembro de 2020, que não adiantava fugir da realidade de 162.842 mortos e que o Brasil não podia ser um país de maricas.”
“Eu acuso o presidente da República de ter insinuado, em dezembro de 2020, que os que tomassem a vacina contra a Covid poderiam virar jacaré.”
“Eu acuso o presidente da República de ter dito, em 4 de março de 2021, que bastava de mimimi e de ter perguntado até quando choraríamos. Nesse dia, eram 261.188 mortos.”
“Eu acuso o presidente da República de ter afirmado, em 17 de maio de 2021, que tinham alguns idiotas que até então ainda ficavam em casa.”
“Eu acuso, por fim, o presidente da República de não estar à altura do cargo de presidente da República. Ele não tem a sensibilidade, a lealdade, a bondade e o desprendimento, por exemplo, de duas figuras extraordinárias: o pequeno Cuscuz e a cativante J’accuse. Estes, sim, saberiam conduzir melhor os destinos da Nação.”
Não tenho dúvida quanto à afirmação final do seu texto, Mauro!
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É revoltante, Annie. E quem pode fazer alguma coisa contra tanta loucura só assiste.
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