Não me ocorre nada mais digno de nota sobre os acontecimentos da semana do que a pesca de um atum de 400 kg na costa do Rio Grande do Norte. Alguns dias antes, a notícia era de muito lixo nas praias de Natal, mas a Mãe Natureza não guarda rancor e sempre dá mostras da sua generosidade. Desta vez, na forma de um very big fish. Li que, no Japão, um atum com as mesmas proporções renderia US$ 5 milhões ou 30 milhões na nossa moeda cada vez mais combalida. Haja sashimi, haja sushi!

Mas, afora a revelação desse peixe grande e a emoção causada nos seus pescadores, nada aconteceu de extraordinário para os padrões atuais. O Brasil passou da marca dos 400 mil mortos pela Covid e foi instalada uma CPI para investigar os culpados pela façanha. O relator da CPI é o senador alagoano Renan Calheiros, que, em outras palavras, adiantou que há siri gordo embaixo desse angu. Também houve um troca-troca no Ministério da Economia, as tradicionais brigas internas no PSDB para a escolha do tucano que alçará voo nas próximas eleições e a perspectiva de o presidente da República comprar o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro do espólio do idealizador do aerotrem, o falecido Levi Fidelix.

E o que mais? Acho que nada espanta mais ninguém. A revogação da prisão de Eduardo Cunha só deve ter surpreendido a própria esposa, que pode ter ficado com os olhos ainda mais arregalados. A expectativa de que outro governador do Rio de Janeiro seja preso também não merece grande atenção, assim como a resistência de o governo federal fazer o censo demográfico. O novo normal é assim. Melhor deixar as primeiras páginas dos jornais para as promoções do supermercado Guanabara ou para fotos do novo SUV chinês. Portanto, não fosse o grande atum potiguar, a semana teria sido um completo marasmo.