Dois dias depois do Dia da Mentira, milhões de pessoas assistiram a um desfile tão imponente quanto inusitado. Em grande estilo, vinte e duas múmias saíram do Museu do Cairo, na Praça Tahrir, e ganharam as ruas da capital egípcia. No cortejo, para cada sarcófago, um carro especial personalizado. O primeiro foi do faraó Sekenenré Taá, governante no século 16 a. C.. O último foi de Ramsés IX, do século 12 a.C.. Ramsés II, aquele interpretado no cinema pelo Yul Brynner, também esteve na parada. Foi em 3 de abril. É verdade!

Esses reis e rainhas que governaram o Egito há mais de três mil anos mudaram-se para um novo palácio, o novo Museu da Civilização Egípcia, uma construção obviamente faraônica, que, espera-se, poderá atrair novamente os turistas a um país politicamente conturbado, mas onde, além de muitos tesouros, está e esteve duas das sete maravilhas do mundo antigo: a Grande Pirâmide de Gizé, de pé desde o ano de 2500 a C, e o Farol de Alexandria, que desapareceu completamente 1700 anos depois de ser construído. Haja história!

Enquanto isso, no Brasil do século XXI d.C, bem longe do Oriente Médio, vivemos algo parecido com as dez pragas desse mesmo Egito. Não tem muito tempo, fomos ameaçados por nuvens de gafanhotos vindas da Argentina. Os mosquitos que transmitem a Dengue, a Zika e a Chicungunha já são de casa; estão sempre por perto. O céu é frequentemente encoberto em razão de grandes incêndios nas florestas. E até as nossas águas, que não são as do Nilo, estão turvas e malcheirosas com a presença de geosmina ou envenenadas pelo mercúrio dos garimpos.

E se este tempo presente já não fosse suficientemente desolador, enfrentamos a pandemia da Covid e a estupidez do governo brasileiro. De todo modo, não percamos a fé, mesmo que seja em Ísis ou Osíris. Tudo realmente passa! Ainda que demore alguns séculos – a não ser, pelo andar da carruagem, a dinastia dos Sarney no Maranhão. Não vi desfilar nenhum sarcófago com o nome do ex-presidente… Ou foi distração minha?