
Muitos já ouviram falar e estudaram a política do café com leite nos tempos da escola. São Paulo, produtor de café, e Minas Gerais, de leite, se alternavam na presidência da República Velha e chancelavam os interesses das oligarquias, controlando os poderes Executivo e Legislativo. Salvo engano também era chamada de política dos governadores. Seja como for, isso me veio à cabeça quando do episódio do assessor internacional da Presidência, fazendo um sinal – segundo aprendi – da supremacia da raça branca. A cena foi filmada numa audiência do chanceler Araújo no Senado Federal.
O tal gesto, é bom que se diga, nada tem a ver com aquele chifrinho inocente que colocávamos por trás da cabeça dos amigos nas fotografias. É coisa séria e perigosa, uma espécie de código utilizado em determinadas circunstâncias, que só os iniciados devem compreender. Mas, nesse caso, o equivalente àquela piscadela sutil da brincadeira de assassino foi percebido pelos senadores e causou rebuliço. O jovem auxiliar do presidente reagiu e chamou de palhaços os que interpretaram como desrespeitoso um inocente acerto da lapela do terno. #Somos todos Carequinha!
Ao comentarem o caso, analistas disseram que falar em redes sociais com um copo com leite na frente é outra forma de passar determinada mensagem ao mesmo grupo de seguidores do gesto da lapela. E nada de misturar café no leite! Estragaria tudo. Tristes tempos! Muito tristes. De qualquer forma, melhor declarar aqui que os meus dedos que aparecem em fotografias antigas não são, de forma alguma, chifrinhos de corninhos ou de diabinhos. São patrióticos vês da vitória. Dizem que este é um país que vai para frente. Acredite!