Terça passada, ouvi fogos e gritarias à noite e perguntei o que seria. Não havia nenhum jogo de futebol, portanto, o que podia ter acontecido? Bolsonaro colocou o dedo na energia elétrica, levou um choque e renunciou? Chegou vacina contra a Covid para todos? Nada disso! Minha filha nos esclareceu. A tal de Karol Concá foi eliminada do programa Big Brother e, pelo jeito, não deve ser muito querida. Nunca vi esse programa e não reconheceria essa moça na rua, mas imagino que seja uma espécie de Odete Roitman do meu tempo.

Não julgo o fato de que enquanto a pandemia está matando, o governo se lixando e o Etna em erupção, a maioria das pessoas estejam festejando a saída da Karol Concá de um programa de TV. Mas estranho a qualidade das emoções coletivas. Se ainda estivessem comemorando a vitória de alguém num show do tipo “Quem quer ser milionário” ou o “Céu é o limite, tudo bem. Mas o script desse programa, pelo que sei, é um misto de voyeurismo com um tribunal do júri de milhões de jurados em que o veredito é sempre “guilty”. Algo como um coliseu romano contemporâneo via satélite.

Seja como for, concluímos aqui em casa que precisamos nos aceitar como minoria e encontrar serenidade para os nossos incontáveis fracassos eleitorais. É questão de sobrevivência engolir melhor o movimento dos sem máscara, a lei de Gerson, a epidemia de incivilidade, a poluição em todos os sentidos e a arrogância dos três poderes. Precisamos tratar de tocar a vida à margem. Tentemos, pois, ser marginais felizes, conscientes de que as mudanças para melhor na humanidade vêm de 50 em 50 anos. Façamos a nossa parte, lógico, mas os frutos não serão para já. Vivemos no “Brasil Com-ême”, cuja maioria escolheu esses governos que estão por aí. Perdemos! Somos a minoria, mas temos o nosso Cuscuz Concê, que não está nem aí para o BBB nem para o B do Brasil. Vamos nos inspirar no Cuscuz Concê, que dá carinho, balança o rabo peludo e faz sorrir.