Ontem, terminei a série argentina Vientos de Agua, do mesmo diretor do filme O Segredo dos seus Olhos, Juan José Campanella. Fala de migrações, do abominável Franco, da Argentina e diz muito da passagem do tempo. No final, sem spoiler (!), pensei ingênua e infantilmente que determinadas histórias não deveriam terminar tão rapidamente. Aliás, volta e meia, a criança quase sexagenária que aqui escreve lamenta quando algumas tragédias não podem ser resolvidas com novos atos, cenas ou capítulos, assim como histórias com finais felizes não possam apaziguar nossa alma um pouco mais. 

Não raro, passamos dias ou horas sofrendo para, só no fim, lermos ou assistirmos, em poucas linhas ou poucos segundos, o tão esperado beijo apaixonado e o desfecho feliz. Não desejei que o Romeu de Shakespeare tivesse esperado mais um pouquinho antes de se matar por amor na cripta dos Capuletos. A força da última cena da peça do gênio inglês permanece a mesma, decorridos mais de 400 anos. Porém, na adaptação para o cinema, bem que dá vontade de gritar para a tela um “espera, cara, ela não está morta!”. 

Já nos happy endings é desejável que, depois daquele beijo, fique bem claro que os apaixonados serão felizes para sempre e que não lhes faltará saúde nem dinheiro suficiente para pagar as contas do ninho do amor. Sugiro que assistam ao clássico An Affair to Remember, com Deborah Kerr e Cary Grant, e pensem a respeito.

E nas obras de suspense?! A mocinha consegue matar o psicopata que a perseguia, ok. Mas ficou tudo esclarecido na polícia? Qualificaram o ato como legítima defesa? E aí? E depois? Nem sempre surgem cenas extras ou posfácios para saciar todas as minhas curiosidades… Imaginar tudo?! Sei, não… Certamente, é maluquice minha. 

Mas desfechos muito rápidos não me satisfazem. São completamente diferentes do gol da vitória no minuto final. A gente torce para o jogo acabar e leva o clímax para a vida toda. Vai que o adversário empata… Quem é Flamengo ainda se delicia com a cabeçada do Rondinelli contra o Vasco, em 1978, aos 42 minutos do segundo tempo, depois da cobrança de um corner pelo Zico. Sei que meu raciocínio não é cult e que o bardo de Avon é muito mais conhecido do que o Rondinelli. Mas fica lançada a questão. Continuar ou não continuar? The end!