
Desde que o Tramp perdeu as eleições nos EUA, tenho lido muito sobre a conveniência de se encontrar um candidato de centro no Brasil para derrotar Bolsonaro, isso, se o bom Deus permitir que Sua “Excelência” seja candidato em 2022… E já é possível ver muitos balões de ensaio a colorirem o céu azul de anil. Mas a maioria, não sejamos tolos, são nomes que de centro nada têm. Sinuca! Como contornar o problema? Afinal, não existem candidatos de centro-direita, centro ou centro-esquerda capazes de unir a oposição contra a extrema boçalidade? Uma espécie de Tancredo para derrotar uma espécie de Maluf? Arrisco dizer que, hoje, é impossível.
A esmagadora maioria da classe política, da extrema direita à extrema esquerda, tem uma característica comum insuperável. São todos e todas, digamos, autocentradxs. Não enxergam nenhuma solução que não passe pela escolha do próprio nome para estar à frente. Não tem jeito, elxs tem que se sentar sempre na janela, ficar com o maior bife, tomar o último copo de vinho e ficar com a maior fatia do pudim de laranja. Aliança para vencer o capitão? Só se elx estiver com o manto sagrado e os aliados com a cruz. Lógico, Jesus só teve um e é preciso ser focado.
E vou mais longe… Alguém sabe explicar por que o clima dentro dos partidos é tão azedo? Afinal, os partidos reúnem companheiros, no sentido de se dividir o pão, ou adversários fratricidas? Tudo bem, existem as correntes dentro das agremiações, os puxadores de votos, o filho do senador, o marido da deputada, o sobrinho do ministro… Mas e os projetos coletivos?! Desculpem a acidez, com pitadas de ingenuidade. Sei que é da política a guerra de egos, os interesses personalíssimos. Mas se os narcisos e narcisas não se acertarem antes de 2022, não sentiremos nem de perto o gostinho que parte do mundo experimentou com a derrota do Tramp. Que dirá retomarmos o caminho tortuoso de uma sociedade minimamente decente… Sinuca de bico?