
Recebi uma reprimenda da minha irmã, ao chamar um dos meus irmãos de “zero três”. Ela disse ser inadmissível qualquer associação da nossa honorável família com a do atual presidente da República, e que só faltava ela ser chamada de “fraquejada”. No fundo, ela tem razão, eu deveria evitar, mas repliquei com um rotundo não! Não! Bem antes de o pesadelo se ter tornado realidade, referia-me aos meus irmãos como irmão número um, irmão número dois e número três. Ela, por ser a única mulher, dispensava o numeral.
Os números existem há mais de 30 mil anos e os empregava inspirado nos filmes do Charlie Chan, um de meus programas de TV favoritos, junto com O Gordo e o Magro, Os Três Patetas e as produções do Carlitos. E Chan era mesmo muito bom… Um detetive americano de ascendência chinesa interpretado por um sueco. Seus filmes eram cheios de mistério e ele desvendava os crimes com a ajuda dos seus muitos filhos, que apresentava como filho número um, número dois e por aí vai. Daí, meu hábito de enumerar Duda, Bob e Gico.
Mas o atual contexto do país – Ana tem razão – exige vigilância extra. Não podemos correr o menor risco de essa família permanecer mais tempo em cena; e, todos, devemos fazer oposição ao trio perverso. Eu poderia associar os tais “zero um”, “zero dois” e “zero três” a outra série querida da infância, os Três Patetas. Mas seria uma grande injustiça com Moe, Larry e Joe, que só provocavam bom humor e gargalhadas e podiam fazer patetadas à vontade porque eram do adorável mundo da ficção, não exerciam nenhum cargo público real.
Seja como for, se os brasileiros não enlouquecerem de vez, a tal trinca perversa não irá além do dia 31 de dezembro de 2022. Na garupa daquele papai, os três filhinhos voltarão à condição de zeros curiosamente à esquerda, diferentemente do gênio Charlie Chaplin, do seu xará Chan, dos Três Patetas, do sofisticado Gordo, do adorável Magro e dos meus três honoráveis irmãos – pessoas e personagens que fazem a diferença, dignos de habitarem nas melhores lembranças.