Há dois meses, a média diária de infectados pela Covid era de nove mil. Hoje, é o quádruplo. São dois milhões de contaminados e mais de 75 mil pessoas não resistiram. Sem contar centenas de milhares de casos tão invisíveis quanto suas vítimas. A data, no início de maio, coincide com a missão dada ao general Eduardo Pazuello pelo capitão Jair Bolsonaro para comandar o Ministério da Saúde.

Ao contrário dos antecessores, o general acatou as ordens do capitão e aprovou o protocolo para aplicação da cloroquina em pacientes com o novo coronavírus, inclusive, em casos leves. No início de junho, o general também cumpriu a ordem de tirar do ar o portal de informações sobre a Covid – o que transformaria o Ministério num grande mistério. Houve uma contra-ordem do STF e os dados da pandemia voltaram a ser divulgados.

Volta e meia, ouço o jargão militar “missão dada é missão cumprida”, certamente, uma demonstração de disciplina e eficiência. Mas, por mais que a instrução e a dicção do capitão-presidente sejam precárias, custo a crer que um general de Exército não saiba discernir um “u” de um “o”. Afinal, a missão deve ser cumprida ou comprida?! O capitão-presidente mandou o general realmente conter o avanço da pandemia? O fato é que, em relação a outros países, o Brasil está custando a controlar a doença. Será que o general é qualificado para liderar essa batalha? Lógico que não.

Nesta semana, a cúpula das Forças Armadas torpedeou uma fala do ministro Gilmar Mendes. Ele teria manchado a imagem dos militares. Ora, será que o alvo certo é o ministro do STF? A missão de descobrir quem realmente está desmoralizando a tropa está longe de ser impossível. Mas a tarefa não pode se estender tanto quanto à do combate da pandemia. Este país não se autodestruirá em cinco segundos, mas estamos evoluindo rapidamente para isso. Hora de pedir o quepe e voltar para o quartel, general.

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