Em 27/6/2020.

Mesmo em tempos de tanta aflição, desconheço a insônia e sei que é mais um privilégio, como ter uma cama e uma casa segura. Adoro dormir e sou capaz de fazer de noite, de dia, deitado, sentado, com a luz apagada ou acesa. Até no avião, para o desespero da minha companheira de todas as viagens.

Mas isso não quer dizer que eu não goste de estar acordado, mesmo neste ano de 2020. É bom acordar para muita coisa, como para ver o sol nascer num dia límpido… Até em dias de chuva acordar pode valer a pena, mas jamais para sair da cama e correr para a rua. A opção entre dormir ou não dormir depende muito do mundo em volta. Do que somos, onde nascemos e dos que estão ao nosso lado… Seja como for, buscar o bom humor quando não estamos dormindo é questão de sobrevivência.

Só masoquistas optam por acordar para ir ao dentista no lugar de ficar dormindo. Além da dor e do barulho do motorzinho do Dr. Torquemada, aquela luz branca acima de nós nada tem a ver com a visão do Paraíso, ao contrário… Dormir é melhor! E entre acordar durante uma quarentena que não acaba ou continuar sonhando livre, leve e solto, definitivamente, sou por não interromper o sonho e babar no travesseiro!

Por outro lado, existem os maus sonhos dos quais desejamos escapar bem despertos. Sonhar com capiroto e companhia é terrível. Neste caso, mil vezes estar de pé num ônibus lotado, sem ar condicionado, cheio de perdigotos em suspensão, a caminho do trabalho. E nem falo do pesadelo que tive ontem… Caramba! Eu estava fechado entre quatro paredes, num quarto sem janelas e espelhos. Imagine com quem? Com Damares e Weintraub! E pior que enxerguei no reflexo dos olhos da ministra o rosto de Nelson Teich. Sim, aquele que substituiu o Mandetta. Foi horroroso!

Melhor esquecer os pesadelos… Quer coisa melhor do que fechar os olhos no Rio e abri-los em Lisboa, Paris ou Amsterdam? Há outros destinos de sonho – alguns domésticos – que também rendem boas sonecas. Mas, seja para aonde for, adoro a sensação de o avião acelerar e decolar! É quando tenho certeza de que deixei o front da batalha por alguns dias para retomar o fôlego. A 30 mil pés de altitude, entrego-me a Morfeu. O deus grego dos sonhos é capaz de me alcançar até nas poltronas torturantes da minha classe. E sonho muito até a aterrissagem. Sonho que o inferno de Bolsonaro e dos outros nunca existiu; sonho que Covid-19 é o título do último filme de Spielberg; e sonho que o champagne é servido a toda hora, na temperatura certa, em lindas taças de cristal, por aeromoças sorridentes. Varig, Varig, Varig!