Em 25/5/2020

Em 1991, foi editado o Manual de Redação da Presidência da República. O presidente era Fernando Collor e o coordenador da edição do documento o então consultor jurídico do Planalto, Gilmar Mendes, apoiado por gramáticos e dicionaristas de renome. Dez anos mais tarde, sob Fernando Henrique, foram feitas atualizações e, no final de 2018, sob Temer, a terceira e última edição do Manual, com adaptações ao novo Acordo Ortográfico e a alteração da fonte Times New Roman para Calibri ou Carlito. Atenção! Carluxo, não existe. É fake!

Ora, se há diretrizes para a redação oficial, nada mais lógico do que algo semelhante para falas oficiais, ou seja, um manual para as reuniões no Planalto. Sobretudo, depois do afamado encontro de ministros no último dia 22 de abril. Além, óbvio, do conteúdo, é importante tratar da forma, da dimensão “Socila” das reuniões. Adianto que não sou contra o emprego dos palavrões, mas eles devem ser bem colocados. Não fica bem um presidente da República falar “foder” diante de seus ministros. Na forma escrita, com “ph”, fica mais elegante, mas é melhor evitar… Já os ministros de Estado, que são substituídos quando desagradam ao presidente, devem controlar muito bem a fala, nem que seja necessário participar dos eventos com um caroço de manga entre a língua e o palato. Este pequeno truque teria evitado, por exemplo, que o ministro da Educação tivesse desencadeado uma crise dos três poderes.

Minha tese é que há formas adequadas para as altercações. Com todo respeito, o presidente precisa ser orientado sobre onde colocar suas cobras e lagartos. Lembro-me bem de uma sessão da Câmara em que um parlamentar xingou seu nobre colega, mas soube manter o tratamento regimental. Ele disse: “Vossa Excelência é um babaca!”. Ok, não é o ideal, mas é solene. De todo modo, é urgente a edição de um manual para reuniões presidenciais. Se as autoridades desejam jogar estrume no split da República, que o façam com verniz. Afinal, Suas Excelências devem respeitar a liturgia dos cargos que ocupam. Isso foi dito pelo ex-presidente José Sarney, que, segundo fontes confiáveis, foi mordido em palácio por um marimbondo, mas soube soltar um grito adequado. Disse ele: “é fogo!!!”. E Sarney, sabemos, tornou-se imortal. Quem sabe Jair Messias Bolsonaro também vira imortal?! Já sobreviveu ao ataque de um maníaco e, de quebra, tem a seu favor aquela crença popular de que… bem, alguns não morrem.