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Em 15/3/2020

Ouvi outro dia o impensável. Um colega de trabalho disse que votaria novamente em Crivella, num eventual segundo turno dele com Freixo, apesar do reconhecimento do fracasso da atual administração do Rio. Por quê? Perguntei. “Ah, o Freixo quer fazer aliança com o PT”. Mas o Crivella não foi ministro da Dilma? Repliquei. “Não adianta! No Freixo eu não voto! Prefiro anular o meu voto”. Exatamente como fez no segundo turno de 2018. Entre Haddad e Bolsonaro, ele disse que lavou as mãos. Talvez, um prenúncio da pandemia…

O colega também repetiu o que já ouvi muito por aí. “Entre Freixo e Eduardo Paes, não há dúvida, é Dudu Paes na cabeça”. E voltei a replicar. O vice de Eduardo Paes era do PT. Não conta? E as obras superfaturadas, as que foram mal feitas e a sua ligação com a farra do Cabral? “O prefeito não pode tudo. A culpa foi daquele seu secretário de Obras corrupto. Bem feito, a Lava-jato o prendeu”.

Difícil buscar coerência… Só não ouvi ainda o clássico “rouba mas faz”, provavelmente, por vergonha. Afinal, “lavajatista” que se preza não pode compactuar com roubo! Por outro lado, como não creditar a Marcelo Freixo o maior êxito no combate às milícias e à avalanche de crimes que cometem? A resposta é que, assim como o voto, o pensamento é secreto e só revelamos o que nos convém.

Nosso egoísmo, nossos preconceitos e covardias, deixamos no fundo de uma urna. E secretas também são as campanhas eleitorais ao pior estilo da velha política. Além de patrocínios inconfessáveis, candidatos não dizem claramente o que pensam, quais são seus valores. Orientam-se por pesquisas, para dizer o que a maioria quer ouvir. Podem ser ateus, agnósticos, nunca terem frequentado uma reunião religiosa, mas buscam a identificação com os numerosos evangélicos, que se deixam enganar, crentes que terão um bom representante e que nada lhes faltará.

O quadro, meus amigos de Facebook, é desolador. Dá vontade de entrar em quarentena e só voltar no ano que vem. O preconceito e a comodidade são grandes demais… Cogitar escolher o ruim diante do novo, só mesmo para quem está com a vida ganha. Mas, o que fazer, além de tentar convencer quem está ao lado?

Uma aliança óbvia das forças progressistas em torno de quem parte de quase um milhão de votos, como é o caso do Freixo, enfrenta resistências até dentro do seu próprio partido. Por quê? Será culpa do Fidel – para lembrar o título de um ótimo filme francês – ou culpa do PT até o fim dos tempos? Não sei. Até quando? Também não sei. Estamos a pouco mais de seis meses da eleições, na direção do pior conservadorismo. E só uma certeza:Até tu, Brutus, ganharás do Freixo se fores para o segundo turno! Os honrados Eduardo Paes, Crivella, Witzel e Bolsonaro agradecerão.