
Em 21/2/2016
No dia em que completamos 25 anos de casados (2011), eu e minha mulher reunimos a família e amigos para festejar a data. Afinal, tanto tempo de boa convivência com o mesmo par é fato cada vez mais raro, sobretudo, porque junto com o cônjuge costuma vir um enorme complicador: os respectivos dramas familiares e, pior, pode haver cunhados…
No meio da noite, para constrangimento geral, um dos meus cunhados levantou um brinde e pediu um discurso. Com o sorriso amarelo, arrependido de não ter resistido à ideia do raio da festa, tive que falar para os Capuletos, que em poucos minutos já tinham dado conta de mais da metade da minha adega. Sem contar o sobrinho que deixou cair mousse de chocolate no sofá e a sobrinha que não parava de gritar…
Mas o que dizer? Qual seria a característica mais marcante da minha amada Julieta? Depois de tanto tempo juntos não havia segredos entre nós. Pelo menos, assim eu esperava… Imaginava conhecer seus mais profundos desejos… E um deles, sem dúvida, eram os sapatos! Sim, sapatos. Quisera eu que, mais do que gostar de sapatos, minha Julieta gostasse de me fazer cafuné, de me oferecer massagens completas ou, ao menos, gostasse das pequenas tarefas domésticas, como se antecipar a mim para limpar o coco do cachorro que, afinal, só balança o rabo para ela. Mas, definitivamente, o marcante da sua personalidade era a paixão por sapatos!
Com alguma dificuldade na Matemática, desenvolvi um raciocínio sobre o número de pares comprados ao longo do quarto de século juntos e cheguei ao número de 1000, 2000 pés ou 20 centopeias! Emreais, algo em torno de 200 mil, que, capitalizados, dariam muitas viagens! Ora, sem sapatos, teríamos tido a segunda, a terceira, a quarta… a décima quinta lua de mel… Mas quantas tinham sido as liquidações “imperdíveis” que a faziam repetir: “ora, seria burrice não comprar de três cores diferentes, estavam de graça!”…
É lógico que o discurso das Bodas de Prata não fez muito sucesso. Confesso que fui infeliz na escolha do tema para homenagear minha rainha como ela merecia, com sapatos ou descalça. Mas não dá para voltar no tempo e consertar tudo o que se faz de errado…
Neste ano, terei uma nova chance. Faremos 30 anos de casados, felizes, com saúde, com a doce Cecília ao nosso lado e – como nada é perfeito – com mais 200 pares de sapatos a contabilizar. Até imagino nossas Bodas de Ouro… Em 2036, espero festejar 50 anos de felicidade e, se Deus permitir, acordar de manhã e não encontrar Imelda Marcos deitada ao meu lado.
Já sabe que sou sua fã, né, Mauro? É cada crônica mais gostosa que a outra. Espero ansiosamente as próximas. Longa vida ao seu blog!
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